Talvez você tenha chegado até este blog depois de pesquisar perguntas como: “Vale a pena cursar odontologia?”, “Como é a faculdade de odontologia?”, “Quanto ganha um dentista?” ou, quem sabe, “Devo fazer odontologia?”.
Se foi por isso que você chegou aqui, este texto é para você.
O que vou escrever a partir daqui não é uma tentativa de convencer você a cursar ou a não cursar odontologia. É apenas uma tentativa de oferecer algumas das informações que eu gostaria de ter encontrado quando estava no Ensino Médio, por volta de 2015 ou 2016, tentando decidir qual profissão seguir.
Começo citando uma música, que particularmente gosto muito, ela se chama “Palo a Seco” do músico Belchior. Em um dos trechos diz assim:
🎵
Se você vier me perguntar por onde andei
No tempo em que você sonhava
De olhos abertos, lhe direi
Amigo, eu me desesperava
Sei que assim falando pensas
Que esse desespero é moda em ’76
Mas ando mesmo descontente
Desesperadamente, eu grito em português
Mas ando mesmo descontente
Desesperadamente, eu grito em português
🎵
E, embora possa parecer estranho começar um texto sobre uma profissão falando em descontentamento, é justamente por isso que decidi escrevê-lo.
Não porque a Odontologia seja uma profissão ruim. Mas porque, durante muito tempo, eu enxerguei apenas uma parte dela.
Quando eu escolhi Odontologia…
Quando estava no Ensino Médio, eu procurava informações sobre as profissões que poderia seguir. Isso aconteceu em uma época em que a internet já fazia parte da nossa vida, mas ainda não tinha a dimensão que possui hoje. As redes sociais estavam crescendo, mas não existia essa quantidade gigantesca de vídeos, relatos, influenciadores, profissionais produzindo conteúdo diariamente e pessoas mostrando praticamente todos os aspectos de suas carreiras.
Então eu pesquisava, e encontrava algumas informações. Mas, olhando hoje, percebo que eram insuficientes. Eu não encontrei alguém que me explicasse, de maneira realmente profunda, como era ser dentista depois da faculdade.
Não encontrei alguém que me dissesse que a graduação seria apenas o começo.
Não encontrei alguém que me explicasse quanto custa continuar estudando depois de formado.
Não encontrei alguém que falasse sobre as diferentes formas de inserção no mercado de trabalho, sobre a dificuldade de construir uma cartela de pacientes, sobre o investimento necessário para montar um consultório ou sobre o quanto a condição financeira da família pode interferir nesse caminho.
E isso fez diferença.
A imagem que eu tinha da Odontologia…
Durante muito tempo, a odontologia esteve associada, para mim, a uma profissão de certo status. Era vista como uma carreira de alto padrão, uma profissão que poderia proporcionar uma boa condição financeira e, de certa forma, representar uma ascensão social.
Não acho que essa percepção tenha surgido apenas da minha cabeça. A odontologia historicamente ocupou um lugar social bastante valorizado. O problema é que uma profissão socialmente valorizada, não significa necessariamente uma profissão financeiramente fácil de exercer.
Uma profissão muito respeitada pela sociedade, nem sempre paga bem ou oferece um início de carreira fácil. O status social alto de um trabalho não traz, por si só, um bom salário ou condições justas de emprego.
Muitas carreiras de grande valor social, pagam muito pouco no começo ou durante toda a vida.
Várias dessas funções exigem muitos anos de estudo e faculdade cara, mas o retorno financeiro demora a chegar.
O desgaste emocional e físico costuma ser alto, mesmo sem o devido reconhecimento em dinheiro
E essa talvez seja uma das primeiras coisas que eu gostaria que alguém tivesse me contado.
A faculdade é apenas o começo e não a “linha de chegada”
Uma das maiores ilusões que eu tinha era imaginar que, ao terminar a graduação, estaria pronta para exercer a profissão. Hoje vejo de outra forma. A graduação oferece uma base. Uma base importante, indispensável e extremamente necessária. Mas a odontologia é ampla demais para que você saia da faculdade dominando todas as suas possibilidades. Você aprende muitas coisas, mas também descobre quantas outras ainda precisa aprender. E então começam os cursos…
Aperfeiçoamentos,
Atualizações,
Especializações,
Congressos,
Materiais,
Equipamentos,
Instrumentais…
E, para quem deseja se destacar em determinadas áreas, é necessário investir continuamente na própria formação. Isso não significa que seja impossível trabalhar apenas com a graduação. Significa que é importante entrar na faculdade sabendo que a formação profissional não termina no dia da colação de grau.
E existe uma questão que não podemos ignorar:
Quanto custa continuar estudando?
Para mim, essa pergunta sempre foi muito importante. Eu cursei odontologia por meio de bolsa de estudos 100% integral. Consegui chegar à graduação graças a uma oportunidade que, sem dúvida, mudou minha trajetória. Mas, depois, descobri algo que talvez eu não tivesse compreendido quando entrei na faculdade: ter uma bolsa de estudos na graduação não significa, necessariamente, ter as mesmas condições para custear os cursos que virão depois.
A graduação pode ter sido acessível, mas a formação profissional não termina nela. E, quando chegam os aperfeiçoamentos, as especializações e outros cursos necessários para continuar se desenvolvendo na profissão, os custos não são gratuitos e não existe a possibilidade de bolsa de estudos.
Quando você não vem de uma família de dentistas…
Existe uma diferença que, na minha opinião, precisa ser discutida com mais honestidade. Você pode se formar sem ter pais dentistas. Pode, inclusive, construir uma carreira excelente sem ter familiares na área. Mas ter uma família que já está inserida na Odontologia pode facilitar alguns caminhos, como por exemplo:
Você pode ter acesso a um consultório já estruturado;
Pode ter alguém para orientar suas decisões;
Pode receber pacientes encaminhados;
Pode utilizar uma estrutura familiar enquanto constrói a própria carreira;
Pode ter apoio financeiro para fazer uma especialização;
Pode ter alguém que já conhece o funcionamento daquele mercado;
Quando você não possui nada disso, muitas dessas etapas precisam ser construídas do zero. E construir do zero leva tempo!
Essa diferença de ponto de partida foi uma das coisas que mais me chamou a atenção em um relato que ouvi recentemente de uma dentista com dez anos de experiência em clínicas populares. Se você quiser conhecer o relato dela na íntegra, pode encontrá-lo no Instagram, em @majudentista.
A Maju conta que passou aproximadamente dez anos nesse modelo de trabalho, dos 21 aos 31 anos, enquanto também tentava construir outras possibilidades profissionais. O relato me fez pensar em uma coisa que talvez seja ainda mais importante do que perguntar se a odontologia dá dinheiro:
Quanto tempo da sua vida você está disposto a investir tentando fazer essa profissão dar certo?
Porque o custo de uma escolha profissional não é apenas financeiro. Existe também o custo do tempo, da energia, da saúde, da frustração, das oportunidades que você deixa passar enquanto insiste em um caminho. E isso não significa que insistir seja errado. Mas significa que precisamos ser honestos sobre o preço de insistir.
O mercado de trabalho…
Aqui chegamos a uma parte que considero fundamental para quem está pensando em cursar odontologia. Depois de formado, você precisa encontrar uma maneira de trabalhar. Simplificando bastante, existem diferentes caminhos: atuar no serviço público, trabalhar em clínicas particulares ou populares, prestar serviços para terceiros ou construir o próprio consultório.
Cada possibilidade tem suas vantagens e seus problemas, podemos conversar sobre esse quesito em um outro artigo.
No serviço público, por exemplo, existe a possibilidade de maior estabilidade, especialmente por meio de concursos e processos seletivos. Mas isso depende muito da região, da disponibilidade de vagas, das condições de contratação e da remuneração oferecida.
O consultório particular, por outro lado, pode proporcionar maior autonomia. Mas autonomia custa dinheiro. Montar um consultório exige investimento em estrutura, equipamentos, materiais, documentação, manutenção e divulgação, entre outras despesas.
E existe algo que nem sempre aparece quando vemos um dentista mostrando sua clínica nas redes sociais: o consultório pode estar lindo, mas isso não significa que ele esteja cheio de pacientes.
O retorno financeiro não é garantido e, principalmente no início, construir uma cartela de pacientes pode levar tempo. Para quem acabou de se formar e não possui uma estrutura familiar ou uma reserva financeira, esse investimento pode ser bastante difícil.
Já as clínicas populares são outra opção de inserção no mercado de trabalho. Mas esse cenário possui muitas camadas (extensas e complexas) que, certamente, dariam assunto para um longo texto em outro momento.
Por isso, simplificando bastante, eu diria apenas o seguinte: foi também por meio das clínicas populares que conheci uma outra realidade da profissão. Uma realidade que a faculdade não te conta!
As clínicas populares podem representar uma porta de entrada para muitos profissionais recém-formados. Elas oferecem a possibilidade de começar a atender, adquirir experiência e ter acesso a pacientes. Mas também podem apresentar condições de trabalho bastante precária. Em alguns modelos, o profissional recebe por porcentagem do valor produzido.
E aqui existe um problema: quando o valor pago por procedimento é muito baixo, você precisa atender muitos pacientes para conseguir produzir uma renda que considere satisfatória.
Eu mesma já vivi isso. Já recebi, por exemplo, cerca de R$ 8,00 por uma restauração. Quando você olha isoladamente para esse valor, talvez pareça apenas um número. Mas pense no que ele significa no final do dia:
Quantas restaurações precisam ser realizadas?
Quantos pacientes precisam ser atendidos?
Quanto tempo você permanece trabalhando?
Quanto você gastou para se formar?
Quanto está gastando para continuar estudando?
Quanto custa o deslocamento?
Quanto custam os materiais?
Quanto custa simplesmente permanecer trabalhando?
É nesse momento que a conta começa a ficar mais complexa. Por isso que considero importante falar sobre precarização e mercantilização do trabalho odontológico. Não quero dizer que todas as clínicas populares funcionem da mesma maneira ou que todo profissional que trabalha nelas tenha a mesma experiência. Estou falando daquilo que eu encontrei no caminho. E acredito que quem está escolhendo uma profissão merece conhecer também essa parte da história.
O relato da @majudentista me fez perceber que existe uma dimensão ainda mais profunda nessa discussão. Dez anos em uma clínica popular não representaram apenas dez anos de experiência profissional. Na perspectiva dela, também representaram anos de vida que poderiam ter sido vividos de outra maneira. Isso é algo que merece ser considerado. Não para provocar medo, mas para lembrar que uma carreira também ocupa espaço na nossa vida.
Mas então não dá dinheiro?
Essa é provavelmente uma das primeiras perguntas que alguém fará. E eu não acredito que exista uma resposta simples. A Odontologia pode proporcionar uma boa condição financeira. Existem dentistas muito bem-sucedidos, existem profissionais com consultórios excelentes, existem especialistas muito valorizados, existem profissionais que constroem carreiras incríveis. Mas essas histórias não representam necessariamente o caminho de todos.
O que me incomoda é quando as redes sociais transformam essas exceções em uma espécie de regra. Você abre o Instagram e encontra consultórios maravilhosos, profissionais bem vestidos, equipamentos sofisticados, procedimentos de alto valor, viagens, congressos e uma vida aparentemente próspera. E você começa a acreditar que aquilo é simplesmente “ser dentista”. Não é! É apenas uma das possibilidades.
A rede social mostra o consultório pronto, poucas vezes mostra os anos necessários para chegar até ele. Mostra o resultado, poucas vezes mostra o investimento. Mostra o faturamento, poucas vezes mostra os custos. Mostra a especialização concluída, poucas vezes mostra quantos anos foram necessários para conseguir pagá-la. E é muito fácil se afogar nesse tipo de comparação.
Você pode estar vendo a pessoa no lugar onde ela finalmente conseguiu chegar, sem conhecer os dez anos que ela levou para chegar até ali. Pode estar admirando uma clínica, sem saber quanto dinheiro foi necessário para construí-la. Pode estar admirando um profissional especializado, sem saber quantas mensalidades e dificuldades financeiras existiram antes daquela certificação. Pode estar olhando para alguém que hoje está realizado, sem saber quantas vezes essa mesma pessoa pensou em desistir.
Nem todo mundo começa do mesmo lugar…
Esse talvez seja um dos pontos mais importantes de todo este texto: Duas pessoas podem fazer a mesma faculdade, ter a mesma profissão e enfrentar mercados completamente diferentes.
Uma pode morar com os pais e ter todas as despesas pagas enquanto constrói sua carreira. Outra pode precisar trabalhar imediatamente depois da graduação para pagar aluguel, alimentação, transporte e todas as próprias despesas.
Uma pode ter pais dentistas. Outra pode ser a primeira pessoa da família a entrar na profissão.
Uma pode ter um consultório disponível. Outra precisa começar atendendo em clínicas populares.
Uma pode conseguir fazer uma especialização logo depois da graduação. Outra precisa escolher entre pagar uma pós-graduação e pagar as próprias contas.
E, embora as duas sejam igualmente capazes, o tempo necessário para construir uma carreira pode ser completamente diferente. É por isso que eu acho perigoso dizer simplesmente:
É só estudar, se especializar e persistir que dá certo.
Talvez dê. Mas para algumas pessoas o caminho será muito mais longo, porque elas precisam trabalhar enquanto estudam, pagar a própria formação e sobreviver durante o processo.
Não é apenas uma questão de esforço. É também uma questão de condições.
E se eu descobrir que não quero mais?
Existe outra coisa que eu gostaria de dizer para quem está lendo este texto e talvez já esteja cursando odontologia:
Você não precisa permanecer em uma profissão apenas porque já investiu alguns anos nela.
É claro que desistir de algo depois de tanto investimento pode ser doloroso. Existe a sensação de desperdício. Existe o medo de começar novamente. Existe a ideia de que “já estou velho demais”.
Mas tempo passado não volta, e tempo futuro também não deveria ser usado apenas para justificar o tempo que já passou.
No relato que ouvi, a dentista Maju, contou que gostaria de ter tido coragem para abandonar a odontologia quando era mais jovem e explorar outras áreas nas quais também acreditava ser boa. O que a impediu, segundo ela, foi uma ideia muito comum: a de que, aos 25 anos, a vida já estaria praticamente definida.
Hoje, aos 36, ela olha para a própria vida e percebe que está apenas começando. Essa reflexão me marcou. Porque talvez alguém lendo este texto esteja com 20, 25, 28 ou 30 anos pensando: “Agora é tarde demais para mudar.”
Não é! Mudar de profissão não apaga aquilo que você aprendeu. A graduação não desaparece. Os anos de experiência não deixam de existir. Você leva consigo conhecimento, maturidade, disciplina, capacidade de lidar com pessoas e inúmeras outras habilidades que desenvolveu ao longo do caminho. E existem muitos profissionais formados em Odontologia que, em algum momento, decidiram seguir outros caminhos e encontraram realização neles.
Abandonar a odontologia, portanto, não precisa ser interpretado como uma derrota. Às vezes, mudar de caminho também é uma forma de reconhecer os próprios limites.
Mas e se eu realmente amar Odontologia?
Então talvez a história seja outra. Se você realmente gosta da profissão, se sente realizado atendendo, se está consciente das dificuldades e, principalmente, se está disposto a construir esse caminho não significa que você deva desistir.
Afinal, a odontologia também tem uma beleza que seria injusto negar. Existe algo muito especial em receber o agradecimento de um paciente, em aliviar uma dor, em devolver autoestima, em melhorar a qualidade de vida de alguém, em perceber que o seu trabalho produziu uma mudança concreta na vida de outra pessoa. É uma profissão que pode ser extremamente recompensadora.
Mas existe um “mas”. E esse “mas” é importante.
Uma profissão que exige muito
A odontologia exige muito!
Exige conhecimento técnico.
Exige habilidade manual.
Exige raciocínio clínico.
Exige atualização constante.
Exige capacidade de comunicação.
Exige administração.
Exige conhecimento sobre negócios.
Exige lidar com pessoas.
Exige lidar com expectativas.
Exige lidar com medo, dor, ansiedade e frustração.
E exige também uma grande capacidade de autocrítica. O senso crítico sobre o trabalho do dentista pode ser enorme, e a própria cobrança que fazemos sobre nós mesmos pode ser ainda maior.
Quanto mais você busca uma odontologia de excelência, mais percebe a complexidade da profissão. Não é simplesmente “saber fazer uma restauração”. É compreender o paciente. Diagnosticar corretamente. Planejar corretamente. Executar corretamente. Acompanhar. Estudar constantemente. Administrar. Investir. Divulgar. Construir confiança. E não pode haver margem para erro, pois pode custar a vida do paciente ou o seu próprio bem-estar.
Talvez essa seja a parte mais pessoal deste texto.
Tenho cinco anos de formada e, até hoje, não consegui realizar uma especialização da maneira como gostaria por uma questão financeira. Não porque eu não queira estudar, não porque não reconheça a importância da especialização. Mas porque, para mim, o dinheiro necessário simplesmente não estava disponível.
As mensalidades dos cursos que encontrei eram muito altas. E, enquanto isso, a realidade de onde eu trabalhava, não me permitia alcançar uma renda que tornasse esse investimento viável.
Eu precisava trabalhar para me manter. Precisava lidar com os gastos da própria odontologia. Precisava lidar com os custos de vida. E, no final, a especialização ficava para depois.
Isso é algo que talvez eu gostaria de ter ouvido antes de entrar na faculdade: não basta perguntar quanto custa a graduação. Pergunte quanto custa a profissão que você pretende exercer.
Então eu não recomendo Odontologia?
Não é isso. Eu continuo acreditando que a Odontologia pode ser uma profissão muito bonita. Ela pode transformar vidas. Pode proporcionar autonomia. Pode abrir diferentes caminhos. Pode ser uma profissão gratificante para muitas pessoas.
Mas eu acredito que gostar de Odontologia não é suficiente para escolher Odontologia.
Você precisa conhecer a realidade que existe por trás do curso.
Precisa pensar sobre sua condição financeira.
Precisa entender que provavelmente continuará estudando depois da graduação.
Precisa considerar que construir uma carreira pode levar tempo.
Precisa pensar sobre onde pretende trabalhar.
Precisa pesquisar o mercado da região onde pretende viver.
Precisa entender quanto custa montar um consultório.
Precisa conhecer as possibilidades de especialização.
E precisa, principalmente, entender que o caminho de um dentista recém-formado pode ser muito diferente daquele que aparece nas redes sociais.
Se você está pensando em cursar Odontologia…
Eu não quero dizer para você desistir. Também não quero dizer para você seguir em frente sem medo. Quero apenas que você faça perguntas melhores. Antes de escolher Odontologia, pergunte:
Eu realmente gosto da área da saúde ou estou escolhendo essa profissão pelo status que ela representa?
Tenho interesse pelo trabalho clínico?
Estou disposto a continuar estudando depois da graduação?
Tenho condições financeiras para investir na minha formação?
Caso minha família não possa me ajudar, como vou me manter durante os primeiros anos depois de formado?
Onde pretendo trabalhar?
Como é o mercado odontológico nessa região?
Quais são as possibilidades reais de emprego na região onde moro?
Quanto custa uma especialização na área que me interessa?
Quanto custa montar um consultório?
Quanto tempo estou disposto a esperar para construir uma cartela de pacientes?
E talvez a pergunta mais importante:
Eu escolheria Odontologia mesmo se ninguém pudesse me mostrar uma vida de luxo através dela?
Se a resposta continuar sendo sim, talvez você esteja diante de uma escolha que realmente faz sentido para você. Mas entre na faculdade sabendo que existe uma distância enorme entre entrar em Odontologia e construir uma carreira em Odontologia.
Eu não tive todas essas informações quando fiz a minha escolha. Talvez algumas coisas tivessem sido diferentes se eu tivesse. Talvez não. Mas hoje, olhando para trás, percebo que gostaria de ter encontrado alguém disposto a falar também sobre essa parte. Sem romantizar. Sem demonizar. Sem dizer que todo dentista será bem-sucedido. Sem dizer que todo dentista será infeliz.
Apenas mostrando que, por trás do jaleco, do consultório bonito e do sorriso das redes sociais, existe uma profissão que exige tempo, investimento, estudo, paciência e, muitas vezes, uma boa dose de suporte financeiro.
E talvez conhecer essa realidade antes de escolher seja uma das formas mais responsáveis de começar.